quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Técnicas de Programação Neurolinguística (PNL) para Timidez e Depressão



A PNL trabalha com a reprogramação mental. A “grosso modo”, podemos dizer que ela nos oferece uma série de conteúdos para que possamos reprogramar e transformar a nossa “máquina mental”, escolhendo melhores pensamentos e atitudes positivas.

Técnica de PNL para Timidez www.leandromotta.psc.br

Se você é daquelas pessoas que têm pavor de falar em público essa técnica lhe será muito útil. Você irá utilizar a sua imaginação, pois observe que qualquer fobia deve-se à uma imagem ou estrutura psicológica formada através de nossos pensamentos e crenças. Uma pessoa que tem medo de barata na verdade é afetada por uma imagem monstruosa sobre este inseto, e não sobre a barata “real”.

Vamos à técnica? www.leandromotta.psc.br

Quando estiver em público, imagine a seguinte situação na sua mente: visualize a situação apavorante como se fosse um desenho animado. Se estiver em uma sala de aula, por exemplo, veja mentalmente todas as pessoas em formato de desenho. Toda e qualquer fala que possa advir delas terão o som da voz do Pato Donald. Nesse momento, você é um gigante, com voz grossa e soberana. Mantenha firme essa situação na sua mente. O resultado é praticamente instantâneo.

Técnica de PNL para Depressão www.leandromotta.psc.br

Essa técnica, de maneira alguma, visa combater e curar uma depressão profunda. A depressão é uma doença grave e deve ser tratada o quanto antes, no entanto, o seguinte exercício serve (SEMPRE) como auxiliar a todos nós, no momento em que estamos tristes ou depressivos. Note que os cães costumam estar sempre felizes e animados – eles têm a sorte de ter que olhar pra cima o tempo todo para os seus donos.

É muito simples! Basta você focalizar a sua atenção no teto da sua casa, por cerca de 3 minutos. É fato sabido que pessoas depressivas tendem a olhar sempre pra baixo, como consequência, despertam a imagem mental de tristeza, agravando mais ainda a situação.

Você pode também olhar para o céu azul. O importante é olhar para cima, pode ser algum objeto ou quadro da sua casa. Faça isso regularmente, vai te fazer bem.

Criando uma “Memória do Futuro” – Técnica de PNL - Programação Neurolinguística



Ano novo chegando e com ele novas metas, objetivos e mudanças. Uma das maneiras de reprogramar a nossa mente é fazê-la com que acredite em uma ideia que sequer aconteceu. O exercício, para criar uma “memória do futuro”, é prático e pode servir como um dos instrumentos para transformarmos nossas vidas.

A imaginação pode transformar nossos cérebros.

Embasamento científico www.leandromotta.psc.br

Muitos dos estudos científicos publicados em revistas do gênero possuem uma linguagem mais complicada para o entendimento do público leigo. Um dos motivos é não estarmos acostumados em pensar cientificamente no nosso dia-a-dia. A forma como um estudo é interpretado pode fazer a diferença quando queremos utilizá-lo para o autoconhecimento e mudança de atitude. Alguns pesquisadores costumam criticar a Programação Neurolinguística, pois ela lida com experiências subjetivas, o que pode ser considerado um problema para a objetividade do método positivista. Entretanto, a PNL pode ser considerada um método, não exatamente uma ciência, que se preocupa mais com os resultados do que com respaldo científico¹.

A técnica descrita a seguir pode ser pensada como um dos instrumentos terapêuticos para mudança de comportamento. A PNL não seria o carro-chefe de um tratamento psicológico. Ela é melhor vista como um auxílio. A respeito da funcionalidade da técnica, podemos correlacionar aos estudos da neurociência ou da própria psicologia. Carl Jung, por exemplo, enfatizou para o fato que não há temporalidade em nosso inconsciente. Já outros estudos apontam que para o nosso cérebro há pouca ou nenhuma diferença entre imaginação e ação², portanto, visualizar uma realidade pode fazer com que nossa mente realmente entre no “clima” proporcionado por um ambiente diferente. Porém, no caso, fazemos um processo reverso: tornamo-nos autores de nossas vidas e, assim, transformamos a realidade externa...

A técnica www.leandromotta.psc.br

O exercício é simples: tudo que você precisa fazer é escrever uma “carta do futuro” para um amigo, familiar ou para si mesmo. Nesta carta você irá contar o que aconteceu com você nos últimos 6 meses. O verbo precisa estar no passado, como se tudo já tivesse sido concretizado. Você pode colocar realizações a nível psicológico, profissional, ou qualquer outro campo de sua escolha. Você irá ler a carta, no mínimo 2 vezes por semana, durante 3 meses ou mais, de preferência, antes de dormir ou no momento em que acordar. Porém, você repetir o exercício quantas vezes a mais desejar. É muito importante que, toda vez que ler a carta, sentir que a sua antiga personalidade ou realidade já faz parte do passado.

Abaixo segue uma carta-exemplo: www.leandromotta.psc.br

“Oi Sonia, tudo bom? Estou escrevendo esta carta para te contar o que aconteceu comigo nos últimos 6 meses. Através do estudo e das experiências de vida que passei pude questionar minhas verdades e crenças profundas. Vinha passando, neste período, por um forte processo da autoanálise. Percebi o quanto era pessoa negativa, pessimista e mimada, por querer tudo do meu jeito. Hoje, não quero mais mudar os outros. Eu os aceitei da maneira como são. Da mesma forma, consigo ver coisas boas todos os dias. Agora me concentro nelas pois sei que sou responsável por aquilo que sinto. Como consequência parei de culpar os outros e a vida pela minha própria infelicidade. Deixou de fazer sentido ficar preso ao passado. Sonia, você se lembra como era há algum tempo atrás? Não me aceitava e me autoagredia o tempo todo. Agora posso colocar o meu afeto no mundo de maneira positiva. Não tenho mais medo de amar os outros ou demonstrar meu amor pelos mesmos. Me sinto disposto e bem motivado. Acordo com uma energia incrível sabendo que tenho muito a aprender e realizar. Sei que novas mudanças e turbulências virão, mas estou preparado para enfrentá-las sem deixar de confiar em mim.”
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Fagocitose Hipnótica



Quais crenças você se deixou sugestionar? www.leandromotta.psc.br


“A crença cria o fato real”- William James

O nosso cotidiano e este ambiente conturbado em que vivemos, exige que tenhamos uma posição racional e reflexiva, se quisermos manter nossa saúde mental. Recebemos informações de todos os lados – pensamentos, crenças e atitudes das outras pessoas. Em uma perspectiva subjetiva, que existe desde a nossa infância, acabamos por incorporar determinadas ideias, advindas do senso comum. É uma espécie de sugestionamento que passamos; é como um feitiço, no qual entramos, inconscientemente, sem perceber. Muitos de nós morremos hipnotizados. Sendo mais claro: morremos cópias dos outros. www.leandromotta.psc.br

De fato, todo sugestionamento, na verdade, é uma autossugestão. Um hipnólogo não consegue impor nada a ninguém – ele sugestiona, empresta uma crença ou um pensamento, que apenas será incorporado ou aceito, caso o sujeito o permita. Isso talvez explique o motivo de pessoas passarem por uma mesma situação, e observarem as coisas de um modo singular e único. Para alguns, um olhar de desprezo de um pai, ou uma palmada de uma mãe, pode fazer com que este episódio persista durante anos, em suas mentes – acarretando tristeza e solidão. Para outros, isso é absolutamente irrelevante. Uma das coisas impossíveis de ser feitas, já havia dito Freud, é educar. Eduque-o, de qualquer forma há de educá-lo mal – disse o pai da psicanálise (Cifali, 2009). Prevenir o sofrimento e a angústia por completo, certamente, é impossível, pois a subjetividade atravessa a previsibilidade mecanicista da ciência tradicional; é algo que está para além. www.leandromotta.psc.br

Se as crenças dos outros são aceitas através de uma via subjetiva, então a maneira de transformá-las irá exigir introspecção e novas escolhas. Ninguém muda sua forma de pensar, simplesmente, pela tentativa de controlar objetos externos. A ciência tradicional nos ensinou que vivemos separados da realidade externa – o que pensamos não pode alterar a realidade. Tal concepção, em voga na educação conservadora, tão presente na nossa sociedade, nos torna meras vítimas e meras cópias do mundo e dos outros. Isso faz com que não questionemos nada e que aceitemos os rótulos que o mundo nos dá. É alguém que diz de nós – a gente, por si próprio, não teria o potencial de mudar a realidade. Entretanto, esta ideia nada mais é do que uma crença, que se deu através de uma hipnose social e cultural. É uma crença que nos corroi e aprisiona o processo criativo. Entretanto, agora, que você está lendo este texto, não pode mais alegar ignorância. Se você está ciente do seu processo de encantamento, que faz com que você se mantenha de um determinado jeito, sem conseguir uma mudança realmente efetiva, então chegou a hora de descrer. Mudar exige que você questione seus valores e crenças. Exige descrença sobre os antigos padrões. É um processo subjetivo, uma transformação mental – e, claro, não vale culpar a genética, seu corpo, ou a educação que você teve. Nenhuma desculpa é válida. Apenas algo deve persistir: a intenção de ir rumo ao desconhecido. Rumo à liberdade. www.leandromotta.psc.br

*A fagocitose é um processo de digestão de partículas sólidas e microorganismos realizado por fagócitos ou células ameboides (Wiki). Fagocitose hipnótica, termo utilizado metaforicamente, refere-se a um processo de englobamento mental, através do autossugestionamento, no qual todos passamos durante a vida. www.leandromotta.psc.br

Neuropsicanálise e A Necessidade de Sofrer



Freud, na teoria psicanalítica, defendia a tese de que pessoas depressivas possuem uma necessidade de sofrer. O artigo demonstra como a neurociência atual confirmou tal concepção.

Palavras não ditas funcionam como lâminas psíquicas. www.leandromotta.psc.br

A teoria da psicanálise, pautada na divisão mental de id, ego e supereu, define que o ser humano possui necessidades psíquicas, que envolvem a ideia de energia. Nesse ponto, pode-se pensar em um investimento mental para um determinado pensamento ou objeto, em maior ou menor grau.

Quando Sigmund Freud estudou pacientes depressivos, em sua clínica, pôde notar que os mesmos possuíam uma necessidade de sofrer, determinado por um masoquismo dirigido ao eu, ou seja, uma auto-agressão; isso era observado, por exemplo, através da resistência ao tratamento (Freud, 1972). A neurociência atual, bem como seu entrelaçamento com a psicanálise, dita neuropsicanálise, traz à tona o fato de que o nosso cérebro, para cada pensamento, sentimento ou ação, produz determinadas substâncias, que são secretadas, especificamente, pelo hipotálamo. O hipotálamo pode regular hormônios ligados ao estresse ou ao bem-estar, de modo que as conexões neuronais, que são estabelecidas através da formação das memórias, podem ocasionar uma repetição da secreção de certas substâncias (Filho, 2002). E então, entramos no aspecto do vício. Isso significa que somos, de fato, viciados por nossos hormônios, não precisamos de uma adição externa para que configuremos uma situação de vício biológico. www.leandromotta.psc.br

Quando alguém procura realizar mudanças, à partir da auto-análise, acaba por deparar-se, fatalmente, com uma resistência e insistência do organismo em manter determinadas sensações, que se ampliaram através da repetição de certos pensamentos. O enfrentamento dos ganhos secundários de toda doença, é crucial para uma mudança efetiva. Caso contrário, acabamos por encontrar e justificar nosso sofrimento em qualquer situação externa, que possamos nos agarrar – a culpa é dos pais, sociedade ou seja lá qual for este outro. De um modo bem popular: achamos “pelo em ovo” para nos estressarmos ou sentirmos sempre as mesmas coisas. www.leandromotta.psc.br

3 crenças que podem te deixar doente


As nossas crenças mentais, que são formadas através das relações que temos com os outros, podem adoecer o nosso corpo. Essa tese vem sendo confirmada por estudos recentes da psicossomática e da psiconeuroimunologia.

Sem saúde mental não há saúde.

Sem saúde mental não há saúde.

1. Eu não sou bom o bastante www.leandromotta.psc.br

Acreditar que você não é uma pessoa boa pode, de fato, fazer com que o seu sistema imunológico enfraqueça. Isso porque a glândula hipotálamo, localizada no centro do cérebro, acaba por liberar hormônios de estresse caso nos sintamos ruins, sujos ou indignos, o que acaba por ocasionar um sentimento de rejeição e desproteção. Porém, sentir-se protegido e amado é fundamental para que estejamos em harmonia com o nosso corpo. Construir uma boa auto-estima não é papo de autor de autoajuda. Confiar em si mesmo é fundamental para que tenhamos um corpo saudável.

2. Eu não mereço www.leandromotta.psc.br

Essa é, talvez, a pior crença que podemos cultivar. Ela pode ser uma das nossas crenças básicas, que acabam por ramificar outros pensamentos, que derivam da ideia de que não merecemos amor, paz ou felicidade. Essa questão do merecimento atua em nosso inconsciente, principalmente por estar presente na história da nossa sociedade. Durante muito tempo a religião propagou, através do medo e do moralismo, que devemos ser de uma determinada forma para termos as coisas que desejamos, quando, na verdade, tal coisa de merecimento vai depender do que cada sujeito vai achar ser merecedor. O merecimento é de todo ser vivo, pois não há um ser, sentado no Céu, julgando nossos comportamentos.

3. Devemos sofrer para aprender www.leandromotta.psc.br

A crença no sofrimento é a crença no mal, ou seja, a ideia de que a vida é maldosa e nos testa. Boa parte das pessoas acredita que a vida, constantemente, testa o ser humano. É como se houvesse uma prova ou avaliação, onde, para sermos aprovados, devemos sofrer muito, pois a dor “ensina”. Tal ideia está pautada na concepção de que punir funciona. Achamos que se formos torturados, seremos pessoas melhores. Do tipo: “O câncer me tornou uma pessoa melhor”. Porém, isso decorre por, justamente, acreditarmos na dor, pois temos a capacidade de aprender com os erros dos outros e pela inteligência. Infelizmente, parece que a nossa espécie ainda não se deu conta disso.

Por isso, cultive bons pensamentos e dirija a sua atenção para os aspectos importantes da sua vida. Não ter paz na mente é prejudicial à você e a todos aqueles que estão ao seu redor. Cultive a paz e deixe o estresse de lado. Viva o presente e ame-se. Esse é o melhor remédio para a saúde.

Terapia da Realidade: A Cura da Esquizofrenia?


William Glasser faz parte da pequena parcela de psiquiatras que considera haver uma cura para a esquizofrenia. Ele desenvolveu a Terapia da Realidade, que será melhor abordada no artigo a seguir.

“O doente mental precisa de compaixão, e não de prescrições”

“O doente mental precisa de compaixão, e não de prescrições.”

Um olhar diferenciado www.leandromotta.psc.br

Glasser, assim como os líderes do movimento da antipsiquiatria, considera que o conceito de doença mental, como costumamos entender, é um equívoco. Eliminar a própria ideia de doença mental faz parte desta abordagem, que se intensificou após o fracasso da medicina em tratar o louco. O psiquiatra fala, em suas obras, sobre saúde mental. Este é o seu enfoque, ao contrário do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais); demonstrando um rompimento com a abordagem médico-tradicional, onde se procura tratar o sintoma ou eliminar sua causa subjacente, ou seja, não há uma metodologia bem delimitada para a promoção da saúde mental, o que há é uma gigantesca demanda de eliminação dos sintomas. Depois de Freud, que pautou sua teoria na existência de conflitos psíquicos, na produção do neurótico ou psicótico, a psiquiatria biológica apóia a ideia de que a doença mental é facilmente explicada por uma disfunção cerebral e bioquímica. Contudo, no ano 2000, na sua última edição de Terapia da Realidade, William Glasser desafia fortemente tal concepção. Ele afirma que nós escolhemos o modo pelo qual nos comportamos, incluindo aqueles comportamentos descritos nos manuais de diagnóstico. Este pressuposto foi denominado de Teoria da Escolha, quando há o entendimento de que as pessoas escolhem suas crenças, que podem ocasionar o próprio sofrimento e, então, à partir daí, haveria a possibilidade de escolher crenças saudáveis mentalmente.

O mito do “Cérebro Doente” www.leandromotta.psc.br

A química cerebral de alguém infeliz é diferente do indivíduo feliz, mas isso não é a causa de sua infelicidade, mas sim um resultado de certas escolhas, onde a química não é permanente – ela pode ser alterada pela seleção do comportamento adequado. O uso das drogas psiquiátricas, contudo, dificultam a identificação das necessidades, podendo, inclusive, prejudicar o funcionamento cerebral, pois há uma adição de substância. Ao contrário de doenças biológicas, como a diabetes. Médicos não afirmam que os diabéticos têm alguma espécie de descompensação química, justamente porque lhes falta algo, no caso, a insulina, para que o corpo funcione corretamente, caso contrário, o corpo falece.

O foco da terapia www.leandromotta.psc.br

A Terapia da Realidade está focada na tese de que o indivíduo precisa reconhecer a responsabilidade que possui sobre si mesmo e sobre a vida. A escolha de um determinado comportamento, que possa ser rotulado como doença mental, demonstra uma incapacidade de satisfação das necessidades básicas de todo ser humano: sobrevivência, amor, poder, liberdade e lazer. Porém, a nossa sociedade está cheia de pessoas optando pela ansiedade, hostilidade, obsessão ou pelo medo. Tais escolhas podem acarretar infelicidade, no momento presente, uma vez que, de acordo com Glasser, a doença mental surge quando há uma incapacidade no presente de lidar com certos conflitos; isso significa que se alguém está infeliz ou sofre de um certo sintoma, é porque não o consegue lidar com isso no presente – é diferente do que outros teóricos defendem, onde o modo como se lidou com algum fato no passado, ocasionaria uma desarmonia atual – e é incapaz de descobrir comportamentos mais eficazes para os quais habitualmente apresenta. www.leandromotta.psc.br

Na Teoria da Escolha todo comportamento é composto por quatro componentes inseparáveis: ação, pensamento, sentimento e fisiologia. A ação e o pensamento tem enfoque na terapia, uma vez que estão correlacionados sobre como um paciente está se sentindo. Não deve-se, assim, tentar mudar a fisiologia ou sentimento, pois não é algo que temos controle direto e previsível sobre tais componentes: www.leandromotta.psc.br

    “Se queremos mudar a forma como nos sentimos – e quase todos os pacientes querem se sentir melhor – então devemos pensar e agir de maneira mais eficaz, em nossas escolhas. Como, por exemplo, ao encontrar um amigo, isso pode mudar a nossa química cerebral de solidão para amor e sentimento de pertencimento.” (p. 56)

Peter Breggin, psiquiatra da mesma linha de Glasser, argumentou que “a depressão, o transtorno bipolar, TDAH ou a esquizofrenia nunca provaram ser algo genético, neuroquímico ou de origem biológica”. Breggin apóia uma terapia com base na empatia e no amor, que pode alterar, de fato, a maneira como nos sentimos.

O aconselhamento www.leandromotta.psc.br

Glasser notou que seus pacientes possuíam uma espécie de insatisfação generalizada na área dos relacionamentos, inclusive, principalmente, com a prevalência do sentimento do fracasso do agir e do pensar. Ele se preocupa em demonstrar aos seus clientes o fato de que eles estão escolhendo a forma como se sentem, frequentemente na dor, porém nesta o cérebro não tem outra alternativa senão encontrar algo para superá-la ou que gere criatividade. Entre os inúmeros sintomas apresentados – delírios, alucinações, obsessões, compulsões e depressão – o sofrimento se expressa, em sua criatividade. Com a ajuda do terapeuta, o sujeito pode escolher parar de prestar atenção naquilo que seu cérebro oferece, através de um processo consciente e de aprendizado. www.leandromotta.psc.br

O psiquiatra aconselha que seus pacientes troquem o “Eu sou deprimido” por “Eu estou escolhendo me deprimir”, pois ao fazer isso, existe a possibilidade de escolher algo novo. Além disso, há um empenho para desconstrução de hábitos destrutivos e punitivos, externos. Através de tal desconstrução, o paciente pode substituir um comportamento destrutivo, pela Teoria da Escolha. Glasser, em seu tratamento, indica que o conhecimento de tal teoria é fundamental para a mudança de comportamento. www.leandromotta.psc.br

Milhares de pessoas são tratadas sem a ajuda de medicamentos hoje em dia, isso porque o tratamento sem a medicação decorre pela falta de poder, muitas vezes, que os terapeutas possuem para receitar um remédio. Embora Glasser se apoie em pressupostos hipotéticos, o seu construto teórico pode propiciar uma mudança de atitude, através da escolha de novos comportamentos e no enfrentamento do papel que o próprio indivíduo empenha na construção de seu sofrimento. A prática propicia uma mudança da passividade, para um controle sobre a própria vida, uma vez que o neurótico, o depressivo e o psicótico, assumiram o papel de vítima. Transformar essa posição vitimesca é o principal objetivo da Terapia da Realidade. www.leandromotta.psc.br

O Corpo Fala: Obesidade



Este é primeiro artigo da série “O Corpo Fala”, no qual irei discutir, com embasamento científico, a gênese emocional de diversas doenças. O intuito é ajudar as pessoas que sofrem de uma determinada patologia e que, geralmente, costumam ter uma visão fragmentada sobre o ser humano, ou seja, a doença é vista como um mal puramente corporal – o que, hoje, pode ser considerado um grande equívoco.

A Obesidade vista de outro modo.  www.leandromotta.psc.br

A Obesidade vista de outro modo. www.leandromotta.psc.br

É “Só um corpo”

A obesidade, atualmente, é uma condição frequente e problemática em diversos países, incluindo o Brasil. Aqui, quase metade dos brasileiros adultos sofrem com peso em excesso, com maior prevalência no sexo feminino. Além dos problemas individuais, a obesidade, hoje, é um grave problema de saúde pública, uma vez que a doença pode ter como consequência o surgimento de patologias cardiovasculares (Gigante, 2006).

Durante muito tempo se pensou que a gênese da obesidade estaria somente na genética, nos hábitos alimentares, exclusivamente, e no corpo, na biologia. Isso ocorreu porque a física clássica newtoniana, que esteve ao lado do fundamento científico, considera o materialismo na forma de observar o homem, bem como a visão filosófica de Descartes contribuiu para a crença separatista: a mente seria de outra natureza do corpo, não havendo qualquer tipo de relação entre essas duas entidades. No entanto, o surgimento da medicina psicossomática, em paralelo com a psicanálise, altera este quadro, quando Groddeck escreve “O livro disso”, afirmando que todas as doenças possuem um significado simbólico. Todas as doenças, de acordo com tal psicanalista, seriam psicossomáticas (1984). Mal sabia Groddeck que a neurociência confirmaria os postulados inferidos sobre psicossomática, há anos atrás.

Fatores Psicológicos www.leandromotta.psc.br

A realidade da psicossomática em obesidade ganha maior destaque no fim do século XX, onde diversos autores indicam que a doença poderia estar relacionada como um indicativo de transtorno de imagem do corpo. A imagem corporal (IC) refere-se como cada sujeito vê o próprio corpo; no caso do sobrepeso, há uma dificuldade em reconhecer o real peso. Isso é constatado na maioria dos obesos. Assim como comportamento de passividade e submissão, bem como o uso da alimentação como castigo, ou seja, no caso dos obesos, o excesso da comida pode ser caracterizado como autopunição e, também, como defesa. Em psicossomática, frequentemente, tem-se relacionado a gordura com proteção – ela traz uma sensação de proteção física e até mesmo de proteção psicológica (Barros, 1990).

Refúgio e Solidão www.leandromotta.psc.br

Ainda, há de ser ressaltado, que mediante o desenvolvimento da obesidade, há a constatação de um refúgio na comida, desenvolvendo um processo de solidão, uma vez que o excesso de gordura poderia representar uma dessexualização (Igoin, 1987).

Fatores Familiares www.leandromotta.psc.br

Diversos autores da psicanálise correlacionaram a obesidade com uma complicada relação materna, uma vez que a alimentação do bebê decorre de um processo que envolve uma relação de afeto entre o seio e a construção psíquica-emocional, que se dá paralelamente, à alimentação, através dos mecanismos de introjeção, onde há uma incorporação dos valores dos pais e da sociedade, que são internalizados. Nesse momento, de construção de imagem corporal, a mãe do obeso, por não compreender seu apelo, responde com a alimentação, diante de qualquer demanda. Dessa forma, o excesso de gordura poderia representar o excesso da mãe (Kelner, 2004).

Realidade Virtual www.leandromotta.psc.br

Paciente em tratamento com a Realidade Virtual. www.leandromotta.psc.br

Paciente em tratamento com a Realidade Virtual. www.leandromotta.psc.br

Os estudos modernos da neurociência demonstram que o cérebro possui pouco ou nenhum discernimento entre realidade objetiva e imaginação (Stephan, 1995). Tal fato possibilita um tratamento virtual, através de uma realidade construída virtualmente que, com o auxílio tecnológico, podem promover a neuroplasticidade, e assim a mudança comportamental desejada no paciente com transtorno alimentar. Esse tipo de terapia é denominado de Realidade Virtual, sendo um tratamento promissor com resultados de sucesso para fobias e outros tipos de transtornos. Geralmente, ele vem acompanhado de terapia cognitivo-comportamental. No caso da obesidade, o tratamento consiste em utilizar um capacete de realidade virtual (head-motend VR). Em cerca de 10 sessões, o paciente é confrontado com imagens que podem ocasionar ansiedade, como por exemplo, uma foto do seu próprio corpo. Então, o terapeuta realiza perguntas no momento exato, e, com o auxílio da terapia comportamental, o indivíduo pode mudar a forma como observa seu corpo, alterando usa imagem corporal que, até então, poderia estar distorcida, ocasionando uma mudança comportamental e, consequentemente, uma mudança dos hábitos alimentares, para que o emagrecimento aconteça (Riva, 2005).

Tratamento multidisciplinar www.leandromotta.psc.br

Não é nenhuma novidade que o padrão de beleza, presente em nossa sociedade, pode contribuir para uma busca desenfreada pela magreza. Qualquer indivíduo que conviva socialmente, será atravessado por determinados ideais – sejam eles corporais, sociais, ou psicológicos. A busca do peso perfeito gera um grande estresse coletivo e certa desconfiança no próprio corpo, o que pode contribuir para uma desarmonia do indivíduo como um todo, que constantemente se vê como algo imperfeito. Dessa forma, gerando a construção de uma baixa autoestima, que contribui para que o obeso tenha maior dificuldade em manter novos hábitos alimentares. A mudança da situação do obeso exige uma mudança comportamental, caso contrário, estará fadado a buscar inúmeras dietas sem sucesso. Logo, o tratamento da obesidade exige a multidisciplinaridade, com médicos, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, uma vez que a sua causa é multifatorial. A origem envolve a genética, fatores ambientais e comportamentais, questões psicológicas, como, por exemplo, a perda de um ente querido, ansiedade e separação conjugal (Machado, 2002). O que não se pode é achar que a obesidade é um mal meramente corporal, referente apenas à hábitos alimentares equivocados. Fazer isso é negar a realidade humana, e isso é tudo que os obesos não precisam.